O sonho americano

Pittsbrugh 1 de Novembro de 2012,

Viver num local por um período curto de tempo pode levar a dois (ou mais) caminhos. O do não vale a pena porque é curto, ou o do aproveitar ao máximo porque acabar depressa. Os objectivos com que se parte condicionam à partida qual dos caminhos percorrer, embora a liberdade esteja sempre do mey lado. 

A minha liberdade tem-me levado inevitavelmente pelo primeiro caminho. Isto apesar da comunidade onde vou à missa se mostrar de braços abertos para os visitantes. No final de cada missa, depois dos avisos paroquiais há sempre uma ronda para saber se há visitas. Se ninguém se acusar, passamos para os aniversários. Foi assim que aconteceu na primeira vez. Por medo do que podia acontecer se levantasse o braço fiz-me passar por habitual frequentador da paróquia. Da segunda vez, um pouco desiludido comigo próprio com o que tinha acontecido no domingo anterior, decidi levantar o braço. Não era o único. Deu para ver o que acontecia com os outros visitantes primeiro. A cada um perguntava-se de onde vinha. Nova Iorque, Atlanta, Massachussets, etc. Quando disse Portugal pareceu-me ouvir um ruído de admiração pela distância ou de ignorância. Na altura não consegui distinguir. Esta simples apresentação à nova comunidade dá espaço a que as pessoas se aproximem. Já têm um bom início de conversa. À saída da missa no domingo seguinte, algumas pessoas lembravam-se do português da missa anterior. Havia até uma senhora do coro que era casada com um brasileiro. Infelizmente ele não estava lá para que eu pudesse recordar o meu português.

O caminho por mim escolhido leva também a não procurar e não me envolver muito para lá da missa. A missa é a mesma, o Deus é o mesmo, o Cristo é o mesmo, mas há sempre pormenores culturais que fazem parte da maneira como as pessoas vivem a fé. As igrejas estão sempre na meia casa. Ao domingo, é dia de futebol. Vestem a camisola da sua equipa e andam com ela o dia todo. Inclusive na missa, como se fosse um acto de bênção. Quase ninguém está de braços cruzados. A partir do 'Santo' toda a gente se ajoelha sem excepção. Levantam-se para rezar o Pai Nosso de mãos abertas, sendo que grupos de amigos ou famílias rezam-no de mãos dadas. Depois do Cordeiro de Deus voltam a ajoelhar-se. A comunhão é controlada por um voluntário que se coloca no enfiamento dos bancos. Se ele está no enfiamento do meu banco significa que eu posso ir comungar. No fim da comunhão toda a gente regressa ao seu lugar e continua de joelhos até o padre regressar ao seu lugar. Os livros de cânticos têm pautas musicais. 

Os Estados Unidos são a maior economia do mundo. É um país com enormes diferenças culturais. Muitas vezes atribuímos-lhe uma conotação demasiado negativa, que pode não corresponder de todo à realidade. É também o país com os níveis de stress elevados do mundo. Não raras vezes cruzo-me com gente a dormir nos corredores. 

ImageQue Deus os ajude a descansar.